Trechos da Matéria publicada na Tribuna do Norte
Fonte: http://tribunadonorte.com.br/noticia/a-dura-jornada-dos-vigias-noturnos/62174
Cai o número de vigias legalizados
A atuação dos vigias de rua clandestinos acaba prejudicando o mercado de trabalho dos vigilantes legalizados. O presidente do Sindicato dos Vigilantes do RN, José Raimundo Ribeiro, confirma que o número de "legalizados" decaiu com o aumento da informalidade. "Nos anos 90 éramos 5.500, depois esse número chegou a cair para 2 mil e agora subiu para 3.600, mas ainda é muito pouco em relação aos 12 mil clandestinos", compara o sindicalista.
"Nossa maior preocupação é com o despreparo dessas pessoas. Para se tornar um vigilante, é preciso ter mais de 21 anos, fazer um curso específico de, no mínimo, 15 dias úteis e 120 horas, ter segundo grau completo, não sofrer de problemas físicos, ou mentais, e ainda apresentar uma ficha limpa de antecedentes criminais", ressalta o representante do Sindvigilante.
Já quanto aos que atuam na rua, José Ribeiro lembra que não há garantias. "O cidadão pode acabar comprando gato por lebre, pois já houve casos até mesmo de um fugitivo da penitenciária ser encontrado trabalhando como vigia de rua", aponta.
Sindesp alerta para os perigos
O trabalho de pessoas como Francisco e Janiedson preocupam quem atua no mercado formal de vigilância. Presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do RN (Sindesp), José Rossini Braulino alerta para os cuidados que a população tem de ter com os chamados clandestinos. "A informalidade é algo complicado e no que diz respeito à segurança de sua família, totalmente não recomendada. Geralmente, os vigias que atuam de forma clandestina não tem preparação, treinamento, nem recursos para garantir a tranqüilidade do cidadão", enfatiza.
No mercado legalizado, Rossini estima que trabalhem sete mil pessoas, portanto pouco mais da metade dos que atuam sem regularização. "Há um risco até contratual, porque empresas que pagam esses vigias podem acabar sofrendo uma ação trabalhista no futuro", ressalta. Ele lembra que o currículo e o histórico dos vigias de rua muitas vezes são desconhecidos pelos que o pagam e isso representa outro risco ainda maior.
"Onde há delito é porque há informação. Informação que o marginal obtém observando o local onde vai cometer o crime, ou informações que vêm de dentro ou de fora das empresas e das casas. E o vigia é alguém que conhece os horários, a rotina, até mesmo as vulnerabilidades da segurança das empresas e das residências", aponta. Além disso, a falta de sintonia com a polícia faz com que, muitas vezes, os próprios clandestinos se tornem vítimas. "Há casos em que a polícia, sem ter a certeza de quem está cometendo o crime, acaba atirando no vigia, já que alguns andam armados", ressalta.
A questão do armamento, aliás, é uma das principais preocupações de Rossini Braulino. Ele explica que nem mesmo os vigilantes que trabalham de forma legalizada para empresas podem percorrer as ruas com armas de fogo. "O porte geralmente só é válido para o estabelecimento onde o vigilante permanece. Até se quisermos trafegar com a arma de um local para o outro necessitamos de uma autorização específica", afirma.
A atividade dos clandestinos, acrescenta, aumenta o desemprego entre os "legalizados" e ainda reduz a arrecadação de impostos do setor. Quanto ao principal argumento de quem prefere os clandestinos, o preço, Rossini é enfático: "Hoje, já há serviços muito bons a preços acessíveis. A segurança eletrônica, por exemplo, oferece valores bem em conta." Ao todo, 19 empresas regularizadas atuam no setor, no Rio Grande do Norte, desde as de formação até as de vigilância, todas fiscalizadas pelos órgãos públicos, inclusive a Polícia Federal.
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